Meu humor atual - i*Eu
O MENINO QUE NÃO MACHUCA
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Um Blogo que segue a linha da minha coluna. Aliás, a linha que a minha coluna não tem. Falando de tudo que eu ousar falar, na medida do possível.

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Sexta-feira, Abril 30, 2004
aPERGUNTAqueNÃOquerCALAR: [ a polícia de itajaí vai continuar até quando com essa palhaçada contra a imprensa? ]

recomendaçõesDAsemana: o último romance de Rubem Fonseca, O Diário de um Fescenino, publicado no ano passado. Apesar das críticas que tenho lido, como por exemplo, as repetições na trama, é um ótimo livro, e merece ser lido. É o estilo Rubem Fonseca à todo vapor! Mesmo com os problemas.

FRASE DO MILÊNIO DO SÉCULO DA SEMANA: (( (...) o jornalista escreve para o esquecimento quando seu sonho seria escrever para a memória e o tempo. )) Jorge Luis Borges, no conto O Congresso, do livro de contos O Livro da Areia, página 23.


posted by RÔMULO MAFRA 22:03
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pesquisinha fuleirinha

Como não consigo colocar uma pesquisa aqui, vou fazer do modo mais fuleiro possível.

1º - Você acha que qualquer um pode comentar o que quiser aqui?

2º - Você concorda que se publiquem comentários biblícos? Mesmo que nada tenham com o texto publicado no blogo?

3º - Se sim, isso não é uma forma de Spam?


Responda nos comentários, ok? Sei lá, pode viajar nas respostas, não precisa ficar só no SIM ou NÃO ehehehe... A Lollomafra Corporation agradece sua ajuda. :-)


posted by RÔMULO MAFRA 11:30
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Quinta-feira, Abril 29, 2004

para alguém especial

Um dia você aprende
w. shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aprender aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante com a graça de adulto e tristeza de um criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, por que o terreno do amanhã
É incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se você ficar exposto por muito tempo .
E aprende que não importa quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.
E aprende que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoa-la por isso.
Aprende que falar alivia as dores emocionais.
Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiros amigos continuam a crescer a longas distâncias.
O que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permite escolher
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você se importa na vida são tomadas de você muito de pressa,
Por isso sempre devemos deixa as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode.
Ser a ultima vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influências sobre nós.Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa á aprender que se deve comparar os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar à pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlaram, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação sempre existe dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes que a pessoa que você espera que chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te da o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o concerte.


posted by RÔMULO MAFRA 18:40
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Quarta-feira, Abril 28, 2004

os quinze minutos de bombom
que na verdade foram segundos...

Ontem, meu cachorro (que se chama Bombom) teve seus quinze minutos de fama e glória durante a apresentação do Record em Notícias (local). Sobre a nova lei que obrigará os cães a usarem focinheira em Itajaí (quando estiverem na rua, passeando com seus donos), o cachorro que abriu a matéria foi, ele, o protetor do condomínio Itamirim, que já espantou uns dois bandidos de assaltarem a vizinhança, Bombom - o destemido! E na matéria não seria diferente, apareceu rosnando, latindo da porta de sua casinha para o câmera da Record (que é meu cunhado, não espalha ehehehe). Agora está recebendo vários convites para posar na D Magazine, participar de um chat para cães, e do Domingo do Cão também. Claro, recusou todas as propostas, pois Bombom não se vende assim, tão fácil.


o canino exibindo toda a sua destreza numa bela espreguiçada. E não se engane com a carinha de manso do bichinho, pois ele é uma fera! :-)


posted by RÔMULO MAFRA 10:42
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DE CINEMA, CULTURA E DIFERENÇA
por Sindoval Aguiar e Luiz Rosemberg Filho

O cinema e a TV estão definidos como linguagem no universo do audiovisual. Mas para o conceito ir além das subjetividades, respeitando a cultura, seu símbolos, signos e mitos, e o interesse do País, o Congresso Nacional também precisa ir muito além, mediando com determinação e vontade a luta entre o lobo e o cordeiro; entre o vento e a fúria. Legislando e regulamentando o setor, protegendo com mais rigor o cinema brasileiro de danos históricos irrecuperáveis, como um dos segmentos mais importantes da área cultural e de entretenimentos de qualquer país. É assim na França, na Itália, nos Estados Unidos, etc. Guardadas nossas características de país periférico, tardio e, ainda colonizado culturalmente.

A tematização do cinema é feita sempre de modo velado. E as razões são múltiplas. É escabrosa. Cale-te, boca!

Calar, como? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? A omissão do poder político é intolerável. E o engajamento, sem reação, também. Uma major , concessionária do poder público na área de comunicação, mais poderosa do que o próprio poder, e imbatível em suas razões práticas e pragmáticas, urde, organiza e determina os destinos do nosso cinema. E os expedientes são explícitos; da adesão, às manifestações corporativas e lobistas. Porque cultura é coisa séria. E o terreno é fértil. Se não lancetar fundo, a coisa torna a brotar. Coisa de bem-querer. Como o amor pelo País. Nasce da noite pro dia e a gente não pode ver. Ou então, se enterra, de vez! Como dizia Glauber, o cineasta maior, morto muitas vezes. E que, da última, não agüentou.

Nessa defesa do cinema e da nossa cultura Machado de Assis não poderia ficar ausente. Já em 1879 ele dizia que o Brasil só acontece submisso a influxos externos. E ninguém como Machado para saber dessas coisas e instigar. Deixando no ar centenas de interrogações pertinentes à sua e à nossa existência. Ele sabia que nada muda entre nós. Então, o melhor seria falar como defunto (Braz Cubas). Mas entre moral e ética, vamos ficar com a questão política, que Machado não era tão doido para deixar muito clara. Era gênio mas não queria ficar confinado e nem sem trabalho, como nós, hoje. Sabemos que as coisas não vão bem. Mas o que seria da cultura se o cinema se recusa?

Leia o resto em www.carosamigos.com.br


posted by RÔMULO MAFRA 10:31
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Segunda-feira, Abril 26, 2004

corrente literária do bem

Peguei no
Prosa Caótica, que pegou no Mundo Podre, que pegou no Sopa (de mim), que pegou na Fal que pegou na Mel, que pegou na Dani, que pegou no Delfin:

Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.


Bom, o meu deu o seguinte:

Prevejo, que logo hei de morrer; devo, por conseguinte, dominar meu hábito digressivo e adiantar um pouco a narração.

A frase foi do livro O Livro de Areia, do escritor argentino José Luis Borges, um dos grandes nomes da literatura mundial. E aí, já imaginou quem ficar no final da corrente?

Bem, nos anteriores já deu dicionário espanhol, livro em inglês, casa das sete mulheres, outra colocou a quinta linha em vez da quinta frase, etc. Vai entrando nos blogs que fizeram isso e se divertindo. :-)




posted by RÔMULO MAFRA 10:49
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Sexta-feira, Abril 23, 2004

filme do WATCHMEN???!!!!

Nossa, vi agora no jornal, começará a ser filmado este ano a adaptação para o cinema dos quadrinho Watchmen, que foi uma das melhores histórias em quadrinhos da nossa atualidade!!! Sim, uma das melhores, um divisor de águas. Não leu? Vai atrás negu! É coisa de primeira, e escrito por nada mais nada menos, que Alan Moore, um dos mestres da nona arte!


posted by RÔMULO MAFRA 23:49
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aPERGUNTAqueNÃOquerCALAR: [ e essa palhaçada da tal ((terceira via)), até quando a imprensa vai continuar arrotando este circo criado pelo guto? ]

recomendaçõesDAsemana: o livro de contos (( Romance Negro e Outras Histórias )) de Rubem Fonseca, fechando o ciclo de leitura de todos os livros de contos do autor, publicado num enorme livro, que foi distribuído para as bibliotecas brasileiras. Ah, peguei este livro na Biblioteca Municipal, que agora está climatizada!

duasFRASESdoMILÊNIOdoSÉCULOdaSEMANA: (( Não somos livres neste mundo, subjugados por nossas paixões e pelas emoções de outras pessoas, ao ponto de nos esquecermos das exigências de nosso intelecto. Se queremos realmente ser livres, só o poderemos ser por intermédio de nosso intelecto. )) Conde Leon Nikolaievitch Tolstoi

((Um homem sério tem poucas idéias. Um homem de idéias nunca é sério.)) Paul Valéry


posted by RÔMULO MAFRA 20:54
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Quinta-feira, Abril 22, 2004

A BOCA
Essa eu fui obrigado a roubar lá do
LETTERI, com foto e tudo ehehehe...



Primeira fase da evolução libidinal, em que o prazer sexual está predominante ligado à excitação da cavidade bucal e dos lábios. A atividade de nutrição fornece as significações eletivas pelas quais se exprime e se organiza a relação de objeto; por exemplo a relação de amor com a mãe será marcada pelas relações seguintes: comer e ser comido. Abraham propôs subdividir-se esta fase em duas atividades diferentes: sucção (fase oral precoce) e mordedura (fase oral sádica).

In: Laplanche & Pontalis: Vocabulário da Psicanálise. SP: Martins, 1980

posted by RÔMULO MAFRA 18:53
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Segunda-feira, Abril 19, 2004

Mais uma vez em cima do Vasco!
ô alegria hein? :-)

Que me perdoem os vascaínos, mas eu pensaria 10 vezes antes de entrar numa final com o Flamengo novamente ehehehe. E o mengão mereceu!, mesmo com toda a palhaçada do técnico do Vasco durante a semana, mandando "chuta o tornozelo", claramente se referindo ao jogador Felipe. Uma pena!


posted by RÔMULO MAFRA 18:08
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Sexta-feira, Abril 16, 2004

NÃO É NOSSA CULPA?

Bem, este texto abaixo nasceu de três motivos: primeiro, o próprio assunto do texto, que vem martelando na minha cabeça alguns dias, pedindo pra ser escrito; Segundo, uma conversa que tive ontem com o
Pera, pelo MSN, quase sobre o mesmo assunto; e terceiro, uma conversa (pessoalmente) com minha miguinha Débora Boeira (que está de volta depois de mais de um ano de ausência da terrinha), que tive ontem à noite quando saí do jornal. Então, espero que gostem, discordem ou concordem. O assunto é polêmico.

Você tem visto a violência que está ocorrendo no Rio de Janeiro? Aquela mulher que morreu fuzilada por tentar salvar sua família de bandidos armados? Ou a bala perdida que entrou pela janela de uma casa em Florianópolis? Ou então conhece alguém que teve seu carro, bicicleta, moto, casa, estabelecimento comercial, roubado? E você sabe de quem é a culpa disso tudo? Acho que todos nós sabemos, certo? Sim, sabemos que toda esta violência no Rio, estas balas perdidas em Florianópolis, estes roubos aqui na nossa cidade, tudo isso vem de um só lugar: do tráfico de drogas. E agora mais uma pergunta, quem é que ¿alimenta¿ o traficante? Sim senhor(a), o usuário de droga. Aquele que fuma um baseadinho por semana. Aquele que fuma todo dia só pra relaxar depois do trabalho, ou aquele que cheira de vez em quando pra se manter acordado na "night", ou o que cheira todo dia por não ter mais opção, está viciado. Os usuários de ecstasy, que querem ser moderninhos (e também ficar acordado a noite inteira tomando água), todos estes que citei acima, são os culpados pela onda de violência no Rio, pela bala perdida em Floripa, pelas minhas duas bicicletas roubadas, pelo seu carro roubado, por sua casa assaltada.

Todos têm sua parcela de culpa. É pequena?, sim é, mas só podemos mudar as coisas grandes com pequenas ações, começando sempre por nós mesmos, pois só assim é que a mudança ocorre, quando se inicia pela nossa cabeça, pela nossa casa. Comece por você. Bote a mão na consciência e pense nas conseqüências que isso tudo gera. No dinheiro que você dá para o traficante, que dá para outro traficante, que joga na mão dos mandantes de crimes e gerador da violência maior, aquela contra toda uma sociedade, como ocorre agora sob nossos olhos assustados na televisão. E logo, acredite, estarão sobrevoando sob nossas cabeças estas balas da guerra do tráfico, pois é uma tendência, caso fiquemos parados. Cada um que começa a usar droga, é um a menos na luta contra a violência. E cada um a menos nas drogas, é um a mais para tentar mudar o que parece estar escrito. Nós podemos, nós temos este poder. Caso contrário, deixaremos (novamente) nas mãos das crianças, "pois só elas podem mudar este mundo", não é o que falamos? Mas isso é balela, pois se não começarmos por nós mesmos, estaremos contribuindo para piorar o quadro.

Se você é viciado, se trate, se não quer parar, plante, não compre, mas se você quiser ajudar mesmo, pare agora, mas não simplesmente pare, faça com que outras pessoas parem também, como diz aquela propaganda, abra a cabeça delas, mostre que elas estão erradas e que isso gera mais violência. Mostre outro jeito de ver a vida, sem drogas, sem a violência.

E termino citando a (ótima) Plebe Rude, um pouco fora do contexto, e que deu o título a este texto: ¿não é nossa culpa, nascemos já com uma benção, mas isso não é desculpa (...).


posted by RÔMULO MAFRA 14:23
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Quinta-feira, Abril 15, 2004

PAUTA ÍNTIMA
Alternativa ao jornalismo burocrático
(retirado do sítio
Observatório da Imprensa)

Alberto Dines

O problema não está na crise econômica que sufoca as empresas, nem na abulia política que torna o país escravo das reuniões do Copom e das taxas de juros.

Está faltando garra aos jornalistas, vontade de fazer coisas, criar, empurrar. Cumprem-se tarefas e obrigações, preenchem-se espaços e tempos vazios, mas desapareceu o empenho pessoal, a pressão interior, a pauta íntima.

A série de três artigos de página inteira assinados pelo jornalista Ali Kamel no Globo (4, 5 e 6/4) constitui exceção. Em primeiro lugar pelo tema e coragem do título, "O terror islâmico". Depois, pela profundidade da pesquisa e clareza do texto. E, finalmente, porque, presume-se, a iniciativa foi dele. Na qualidade de diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo, não precisa inventar tarefas para ocupar-se.

Como um estudioso, Kamel quer saber e sente-se obrigado a informar. Tem a noção de que o jornalista, além de acompanhar os acontecimentos, obriga-se a relacioná-los. O compromisso é com a busca informação mas, sobretudo, com a difusão do conhecimento.

Com este tipo de garra devidamente multiplicada, nossos veículos talvez fossem menos descartáveis e mais estimulantes.

posted by RÔMULO MAFRA 11:15
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Quarta-feira, Abril 14, 2004

beleza americana... :-)

Sem querer ser muito "se achão", olha só esta fotinho da minha mamãe, Rosimare, quando tinha 25 aninhos, vê se não é uma gatinha. Agora compara com a minha fotinho aí embaixo... ehehehehe.. Difícil dizer quem é mais bonito né?? ehehehe.. é ruim hein? Com uma gatinha dessas... ehehehehe






posted by RÔMULO MAFRA 19:22
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meu ideal seria escrever...

Talvez até já tenha publicado este texto aqui, mas se já foi, vai ganhar um repeteco. Um belo texto sobre escrever, do ótimo Rubem Braga, que achei lá no Literatus
, e também como daqui a pouco sou expulso daqui por não postar nada, deliciem-se com as palavrinhas abaixo...

Meu Ideal Seria Escrever...


Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

Rubem Braga

A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

posted by RÔMULO MAFRA 10:58
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Segunda-feira, Abril 12, 2004
aPERGUNTAqueNÃOquerCALAR: [ e agora bush??? vai arregar ou vai deixar seus compatriotas morrendo de graça? ]

recomendaçõesDAsemana: o livro (( Náufragos, Traficantes, e Degradados )), do ótimo Eduardo Bueno. O livro conta a verdadeira história do Brasil, do período do descobrimento e nos 30 anos que se seguiram. O livro é simplesmente foda!

FRASEdoMILÊNIOdoSÉCULOdaSEMANA: (( A guerra é um massacre de homens que não se conhecem, em benefício de outros que se conhecem mas não se massacram. )) Paul Valéry


posted by RÔMULO MAFRA 11:07
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imagens de SC

Coquetel de abertura da exposição de artes plásticas da Associação GAP (Grupo de Artistas Plásticos de Balneário Camboriú) sobre o tema
"Imagens de Santa Catarina".

Abertura: 07 de abril de 2004, quarta-feira, às 18:30 h

Local: Espaço Artístico, Hall da Biblioteca Central da Univali (Rua Uruguai, 458 - Itajaí-SC)

Visitação: até dia 27 de abril


temporada de teatro em itajaí

TEMPORADAS TEATRAIS DA ASSOCIAÇÃO ITAJAIENSE DE TEATRO

A partir do dia 10 de Abril até o dia 23 de Maio a Associação Itajaiense de Teatro estará realizando em Itajaí o projeto Temporadas Teatrais, uma mostra de repertório dos seus grupos associados. A cada final de semana diferentes espetáculos subirão ao palco da Casa da Cultura Dide Brandão.

Este projeto, realização da A.I.T., conta com o apoio da Fundação Cultural de Itajaí e da Casa da Cultura Dide Brandão.

Os ingressos estarão à venda nos dias das apresentações, a partir de 30 min antes do início dos espetáculos e custam R$ 8,00. Estudantes com carteirinha e Idosos ( a partir de 65 anos) pagam meia entrada (R$ 4,00).

Haverá também passaportes que dão direito à um ingresso para cada espetáculo ao preço de R$ 20,00, já à venda na Secretaria da Casa da Cultura

Abaixo está o cronograma com as datas e horários das apresentações. Todos os espetáculos acontecem na Casa da Cultura Dide Brandão.

ABRIL

10 e 11/04
Grupo Teatral Acontecendo Por Aí
A DAMA DAS MARGARIDAS
texto de Melize Zanoni e direção de Lourival Andrade
20h30min (adulto)

17 e 18/04
Téspis Cia. de Teatro
BODAS... (UM ATO COTIDIANO)
texto de Periplo, Compañia Teatral e direção de Diego Cazabat
20h30min (adulto)

24 e 25/04
Cia. Experimentus Teatrais
O MENINO DO DEDO VERDE
a aprtir da obra de Maurice Druon e direção de Marcelo de Souza
16h (infantil)

MAIO

01 e 02/05
Marcelo F. de Souza e Cia. Experimentus Teatrais
BRINCANDO DE BONECOS
texto e direção de Marcelo F. de Souza
16h (infantil)

08 e 09/05
Cia. E.T.C. i. Tal.
REVUE
texto e direção de Cidval F. Batista Jr
20h30min (adulto)

15 e 16/05
Téspis Cia. de Teatro
MEDÉIA
a partir da obra de Eurípedes e direção de Max Reinert
20h30min (adulto)

22 e 23/05
Cia. Experimentus Teatrais
A ROUPA NOVA DO REI
texto e direção da Cia. Experimentus Teatrais
16h (infantil)

* Todos os espetáculos acontecem na Casa da Cultura Dide Brandão.
** Maiores informações através do e-mail divulga.ait@bol.com.br ou (47) 9955 1380 (com Daniel) e (47) 9111 3987 (com Bruna)


posted by RÔMULO MAFRA 10:52
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Quinta-feira, Abril 08, 2004

celular desligado... até amanhã...

Só pra avisar, estou com o celular desligado até amanhã à tarde. Troquei de aparelho (mas não de número), e o telefone tem q ficar carregando durante 24h e desligado.


posted by RÔMULO MAFRA 15:51
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Quarta-feira, Abril 07, 2004

A GLOBO E O GOLPE DE 64

Belíssimo artigo do Gilson Caroni no Observatório da Imprensa desta semana. Imperdível!!!! Ah, os negritos são meus.

Dificilmente as relações entre mídia e poder na ditadura militar encontrarão referência mais emblemática. Ao publicar um caderno especial sobre o golpe de 64, O Globo (28/3/04) apostou todas as fichas na produção do esquecimento. Nunca foi tão pedagógico o exercício de reescrever a história, primando menos pela riqueza de detalhes que pela plenitude de ausências.

Não se conta um período omitindo seus principais atores, não se desvela um processo ignorando suas principais motivações e beneficiários. O que o jornal da rua Irineu Marinho, 35 conseguiu foi montar uma colagem. Um mosaico quase anedótico ao qual pretendeu chamar de resgate de uma época.

(...)
A emissora de Roberto Marinho começa a operar em 1965, sustentada por um acordo técnico e financeiro com o grupo Time-Life, cujo escopo foi motivo de uma CPI no Congresso Nacional, no ano seguinte. Sarney, no mesmo ano, apoiado por Castelo Branco e tecendo loas aos ditadores de plantão, torna-se governador maranhense. Cinco anos depois, a Globo, esteio simbólico do regime, completava em seu noticiário a ação propagandística do regime. Em 1970, o oligarca assume uma cadeira no Senado. Juntos no mesmo projeto. Perfeitos na simetria.
(...)

Leia o artigo inteiro
aqui

posted by RÔMULO MAFRA 11:04
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Terça-feira, Abril 06, 2004

ERA DOS WEBLOGS
O jornalismo não tem donos

Jay Rosen
Tradução de Carlos Castilho
O fenômeno dos weblogs chegou ao jornalismo provocando um debate apaixonado na internet e nas universidades americanas porque afeta vários valores tradicionais da atividade jornalística. O texto que segue é a versão preliminar da apresentação do professor Jay Rosen, diretor da Escola de Jornalismo da Universidade de Nova York, na conferência BloggerCon, marcada para a segundo quinzena de abril, na Universidade Harvard. É o primeiro grande evento acadêmico para debater o futuro do jornalismo na era dos weblogs. O professor Rosen defende teses polêmicas e pretende incorporar ao seu texto observações e correções de leitores. Quem desejar acompanhar a evolução do trabalho pode fazê-lo no weblog do autor (http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/). A versão final em inglês pode diferir da aqui traduzida porque trabalhamos sobre o texto disponível no dia 31 de março. Foram eliminadas algumas referências a questões muito especificas da realidade americana. (C.C.)

O jornalismo deve ser entendido como uma prática e não como uma profissão. O jornalismo pode ser praticado em qualquer ambiente. Ele existe independentemente dos mecanismos de distribuição. Isto também significa que o jornalismo não é sinônimo, sob qualquer ponto de vista, de "mídia". A mídia, ou a grande mídia como alguns a chamam, não é dona do jornalismo e nem pode usá-lo a seu bel-prazer.

Nem ele é propriedade de nenhum grupo profissional, da mesma forma que os museus e galerias de arte não são os donos das obras expostas. Embora os melhores jornalistas da atualidade sejam profissionais, isto nem sempre foi verdadeiro. Nos tempos de Benjamin Franklin, os gráficos funcionavam como jornalistas. Eles trabalhavam no ponto exato para onde convergia o fluxo das informações, e eles tinham como distribuir as notícias. Os gráficos muitas vezes funcionavam também como agentes do correio.

Se os gráficos e os agentes do correio, que não foram preparados para ser jornalistas, acabaram funcionando como tal, então, em qualquer época, pode-se admitir a possibilidade de pessoas acabarem praticando o jornalismo por considerá-lo uma atividade lógica, prática, significativa, democrática e valiosa.

LEIA O RESTO
AQUI

posted by RÔMULO MAFRA 20:24
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A VERDADE, POR MAIS QUE DOA!
por Fred Neves

Sou meio fora-de-moda. Gosto de ouvir Perez Prado, Tito Puente, Johnny Mathis, Johnny Hartman, Frank Sinatra, Dick Haymes, Elizeth Cardoso, os cantores e as cantoras do rádio etc. Já fui apelidado de "Seu Frefré". E acabei sendo motivo de chacota por ter esta verdadeira admiração por coisas velhas. Incluem-se nesta categoria carros, motocicletas, filmes, musas e galãs de cinema, apartamentos e uma fascinação pela época dos grandes festivais e da resistência armada à ditadura militar no Brasil.

As pessoas me desencorajam, falam para eu me atualizar. Para ser jovem e curtir a vida. Ninguém entende, sou feliz assim. Lembro-me, quando criança, de ficar admirando os adultos e suas conversas politizadas. Gostava de ver minha mãe cozinhando para os amigos. Tinha um livro de receitas azul, que eu lhe dei de presente quando eu estava na pré-escola. Passava dias observando meu pai, artista plástico, pintar os seus quadros, elaborar suas aulas - também é professor - e cuidar da casa, sempre achando algo a ser reparado.

Eu achava que, quando eu crescesse, tudo ia ser assim. Encontraria pessoas como os meus pais e seus amigos. Pessoas que seriam felizes com coisas simples. Com amigos, uma casa pequena, um quintal. Pessoas que gostariam de sonhar, de cantar, de tocar violão, de relembrar todas aquelas belas músicas da velha guarda do samba-canção. Pessoas que se relacionariam com muita profundidade. Que se respeitassem. Lembro muito destas situações de discussões políticas fervorosas que davam a impressão que tudo ia acabar mal. E depois, no dia seguinte, as pessoas se reencontravam e estava tudo bem, apesar das diferenças.

E toda essa atmosfera saudosista tinha o seu cenário, sua decoração. Tinha os seus discos de vinil, sua clandestinidade, sua inovação. Nossos pais foram os hippies de 60. Nossos pais viram Elis ao vivo, viram as primeiras aparições de Maria Betânia e João do Vale em São Paulo. Viram os festivais. Viram colegas serem presos pela ditadura. Calavam-se. Viram Getúlio se matar. Viram o Vietnã. Nossos pais resistiram. Nossos pais escreveram uma parte da história. E ainda escrevem. Estão lá. Assessores presidenciais. Professores universitários. Intelectuais. Artistas.

E nós de minha geração, que história escreveremos? A história da abnegação, da passividade, do conformismo? Iremos resistir calados à falência vertiginosa da industria da música? À falta de suporte estatal para a cultura? À privatização em massa dos nossos bens estatais como educação, cultura, fontes energéticas e alimentícias, instituições bancárias e saúde?

Quem são os nossos representantes? Quais são os novos líderes estudantis? Quem propõe novas ideologias? O que se opõe ao neo-liberalismo? Alguém se importa? Marilene atesta a falência do magistério. O que será de nossas crianças sem os professores? Queridos mestres que nos iniciam na literatura, que constróem o nosso imaginário poético, que semeaim os nossos sonhos. Li a matéria de Marilene com lágrimas nos olhos.

Voltei hoje para casa triste, com uma terrível sensação de impotência, procurando alguma resposta para todas estas perguntas. Me senti afogado no mar de carros da cidade. Não consigo me conformar. Por outro lado, o que poderia fazer? Pensei muito e cheguei à seguinte conclusão: vou iniciar meu manifesto da transparência. Começando por mim mesmo!

Inauguremos o movimento da verdade, por mais que doa. Ou seja, nada está escrito na testa. A verdade adora se esconder. Mesmos as nossas mais íntimas verdades só vêm à tona após anos de análise ou de muitas cabeçadas na vida. Mas temos que começar de alguma forma. Vamos, então, à verdade. A verdade é que quero a segurança de estar vivo sem sentir a ameaça constante da tragédia. Quero confiar! Quero poder andar pelas ruas sem o pavor da morte. Quero acreditar numa velhice tranqüila, sem ter que pagar mil e tantos reais a algum convênio médico! Quero poder pensar em ter filhos! Atualmente, não tenho coragem!

A verdade é que "gente precisa de gente", como diz um grande amigo meu. A verdade é que o governo está nas mãos de pessoas nem um pouco transparentes, que nos enganam com promessas demagógicas e panfletistas. A verdade é que estamos desesperados pois a nossa antiga esquerda esvaneceu, perdeu a força, sucumbiu. A verdade é que o povo precisa de voz, precisa se unir. A verdade é que precisamos ser mais humanos.

Não consigo me armar de muitos argumentos filosóficos. Não consigo citar com propriedade Marx, Lenin, Deleuze ou Guattari. Mas algo me diz que as respostas estão dentro de mim, no desenvolvimento da qualidade da troca, na humildade de ouvir quem sabe mais do que eu e me aperfeiçoar. Na qualidade de ouvir, ponto. Algo dentro de mim diz que, se eu tenho algo a contribuir, este algo é a insistente busca da tradução da verdade. Este algo é o amor ao ser humano, com tudo que ele tem de doloroso e delicioso.

Sejamos, pois, verdadeiros! Quero enxergar e sentir tudo. As falhas, as qualidades, os medos, os temores, os sonhos, as ambições. Tudo tem a dizer! Usemos com menos medo a liberdade de dizer o que pensamos. Não julguemos os outros. A vida não é uma competição! Usemos da erudição como catalizadora da verdade. Usemos da história como lição. Usemos da arte como tradução!

Vamos, então, dar as mãos! Como nossos pais! Agora, mais do que nunca! Vamos resistir à ganância capitalista! Vamos perceber que o respeito ao outro e a transparência das idéias podem ser as qualidades mais importantes para uma possível existência pacífica. Espero, de coração, que sim! Espero que ainda haja espaço para o romantismo ingênuo de Noel Rosa e Dorival Caymmi. Espero ainda poder acreditar no amor. Sem perversão.

Fred Neves é médico-psquiatra.


posted by RÔMULO MAFRA 20:03
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Segunda-feira, Abril 05, 2004

1994 - a denial


If you wouldn't mind I would like to breathe

Carregue suas armas e venha como você é. Assim o mundo inteiro ficou conhecendo a existência de uma banda, de um "estilo", de uma cidade. A banda chamava-se Nirvana, o estilo, o Grunge, e a cidade, Seattle. Assim começou a jornada dentro do sucesso, e toda a sujeira que vem junto com ele, de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. E hoje, 5 de abril de 2004, o rock conta dez anos da morte de Kurt Donald Cobain, que tinha a idade maldita dos roqueiros mortos, 27 anos, assim como Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix.

Never met a wise man, if so it's a woman

Claro, é clichê falar da importância do Nirvana para a minha geração (conheci Nirvana em 91/92, com 14/15 anos), por isso falo mais da importância que eles tiveram pra mim. Foram duas bandas que conheci simultaneamente. Metallica (com o álbum preto) e Nirvana, com o álbum Nevermind, os dois, poucas semanas antes de começarem a tocar nas rádios brasileiras. Nas primeiras audições, gostei mais de Metallica, mas logo fui criando um carinho maior pelo disco do bebezinho nadando atrás de um dólar (idéia do Kurt), e logo, estava louco por aquele som estranho, diferente das bandas de rock até então existentes. Porrada e suavidade conviviam no mesmo disco, na mesma música. Gritos vindos do fundo do estômago e belíssimas melodias também estavam fundidas em Nevermind. A raiva contra o que estava vigente era visível, mesmo a gente não entendendo muito do que eles falavam, sabíamos/sentíamos que era o que a minha geração sentia/sabia, e por isso o mundo foi arrebata pelo Nirvana.

How a culture comes again, it was all here yesterday

Logo começaram a surgir fitas (ninguém conhecia CD ainda) com as outras músicas, com o outro disco (tão bom quanto Nevermind), Bleach, gravado em 1988. Fiquei decepcionado em não ter conhecido antes este disco. Mas feliz por estar vivendo algo que comparava aos hippies em 70, aos punks/darks em 80, e agora, nos anos 90, o grunge, que nasceu como moda/marketing, mas inegavelmente, foi o estilo adotado pelos jovens, e pela minha galera. Apesar de lembrar que as roupas vinham de uma influência dos skatistas, que começou um pouco antes, se não me engano.

She eyes me like a pisces when I am weak

Porém, especular sobre a morte de Kurt Cobain e o fim do Nirvana, também é clichê. Não dá pra dizer mais do que já foi dito por muita gente melhor que eu em expressar idéias em palavras, mas, talvez, Kurt Cobain não quisesse viver mais aquilo tudo. Sabia que as coisas boas não duram muito tempo, não queria ficar explorando aquela experiência toda, como fazem alguns roqueiros até hoje, vivendo do passado, e devia ter medo de acabar como eles. Ele era único, ele era verdadeiro até demais, sabia que aquilo que estava vivendo não aconteceria de novo, e talvez, estivesse feliz em ter feito o mundo girar novamente, e por isso preferiu parar por ali mesmo, procurar uma sétima dimensão, ficar para sempre jovem.

Ao som de b-sides do Nirvana

All in all is all we are

E pra quem quiser ler mais sobre Kurt Cobain, Grunge e afins, o sítio Omelete está com um super-especial hoje. Entre
aqui

posted by RÔMULO MAFRA 13:43
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Quinta-feira, Abril 01, 2004

um pouco de putaria culta...
Já que não publico mais meus contos eróticos (e os não eróticos) por aqui, aí vaí um pouco de putaria inteligente. Ah, e não publicar, não quer dizer que não esteja escrevendo eheehehehe



3 de dezembro de 1909 (excertos)

Nora querida, estou todo o dia morrendo de vontade de te fazer uma ou duas perguntas. Deixa-me, querida, pois eu já te disse tudo que fiz e assim posso por minha vez perguntar-te. Não sei se vais responder. Quando aquela pessoa cujo coração eu desejo parar com um disparo de revólver pôs a mão ou as mãos por baixo de tua saia ele só te titilou exteriormente ou meteu o dedo ou os dedos em ti? Se ele o fez, os dedos avançaram bastante até alcançar aquele grelozinho na extremidade de tua boceta? Ele te tocou por trás? Levou muito tempo te esfregando e te fez gozar? Pediu-te que o bolinasse e tu o fizeste? Se não o bolinaste ele se esfregou em ti até gozar e tu o sentiste?

Outra pergunta, Nora. Sei que fui o primeiro a penetrar em ti mas houve alguém que te fodesse nas coxas? Aquele rapaz de quem gostavas algum dia o fez? Diz-me agora, Nora, verdade por verdade, honestidade por honestidade. Quando estavas com ele no escuro à noite teus dedos nunca, nunca desabotoaram as calças dele e escorregaram para dentro como camundongos? Tu nunca o bolinaste, querida, ou a alguém mais, diz-me a verdade? Tu nunca, nunca, nunca sentiste uma pica de homem ou de menino entre teus dedos até que me desabotoaste? Se não te sentes ofendida não tenhas medo de me dizer a verdade. Meu bem, meu bem, hoje sinto um desejo tão louco de teu corpo que se estivesses aqui ao meu lado e mesmo que contasses com tua boca que metade dos cafajestes de cabelo vermelho do condado de Galway tinham fodido contigo antes de mim eu ainda me atiraria em ti com ardor.

Santo Deus que linguajar é este com que estou escrevendo à minha orgulhosa rainha de olhos azuis! Irá ela recusar-se a responder às minhas perguntas grosseiras e insultuosas? Amo teu corpo, tenho saudade dele, sonho com ele.
Amo-te, Nora, e parece que isto também faz parte do meu amor. Perdoa-me! Perdoa-me!

Jim

James Joyce: Cartas a Nora Barnacle
São Paulo: Massao Ohno-Roswitha Kempf, 1982
Tradução: Mary Pedrosa
Edição-Homenagem de 500 exemplares


Retirado do sítio
Letteri Café

posted by RÔMULO MAFRA 22:20
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